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terça-feira, 12 de julho de 2011

Agora Bairros: Segurança é problema no bairro Castelo Branco II

Foto: Fábio Dutra

Considerado pelos próprios moradores como um dos bairros mais violentos do Rio Grande, o Castelo Branco IIenfrenta, além da violência e das drogas, a falta de infraestrutura básica. Com seis mil moradores, sem pavimentação, sem esgoto e bueiros quebrados, tem nas valetas que correm às margens das ruas o maior depósito de lixo, entulhos e, em algumas ruas, até dejetos humanos. Mas conforme a presidente da associação dos moradores, Sandra Mara Cozza, embora tenha muita coisa para se fazer ainda, já melhorou a situação do bairro. "Há 16 anos não tinha água e nem luz. Hoje temos estes dois serviços e os 1.140 lotes estão legalizados".
André Martins, secretário da associação, enfatiza que o saneamento básico está previsto em lei. "Se é lei, como inexiste aqui em nosso bairro e em tantos outros?"Relata que tudo o que foi conquistado para o bairro foi através de muita luta e da busca dos direitos como cidadãos. Mesmo tendo uma associação de moradores muito atuante, muitos dos problemas são persistentes, como as ruas sem pavimentação, esburacadas e cobertas de lama e água quando chove.
As rua C, D, E e G encontram-se tomadas de buracos em toda as suas extensões. Os bueiros estão praticamente todos quebrados. As valetas não têm mais de 30 centímetros de profundidade. Sônia da Silva, moradora na rua D, afirma que na frente da sua casa é um verdadeiro "piscinão". "Quando o prefeito esteve aqui, em março, apertei a mão dele, e mostrei o problema da nossa rua. Disse que iria dar um jeito. Eu estou esperando até agora". Georgina Alves, moradora na rua D, salienta que a sua rua vira uma "praia" quando chove. "Pra sair de casa só com bota até o joelho. Existe um valeteamento que não serve pra nada", afirma.
A associação de moradores mandou ofícios para a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) solicitando que fosse feita manutenção, também, na rua E. "É um verdadeiro descaso para com os moradores. Tem mais buraco que rua, os bueiros estão tapados e rebaixaram o nível da rua. A C passa pelo mesmo processo. E ainda tem as valetas entupidas com areia."Não se costuma limpar não. Só fizeram isso em março, quando o prefeito e os secretários vieram atender aqui no bairro", diz a moradora Mara Moreno.
Morador há 10 anos, na rua G esquina com a S, Valdoir Soares é a imagem da indignação. "Isso aqui tá tudo errado. Quando chove entra um metro de água dentro de casa. As valetas não tem 30 centímetros de profundidade. Os bueiros são de pouco diâmetro", diz, enfatizando que as ruas foram rebaixadas com máquina e, por isso, a água invade. "Isso não é rua. Nosso dinheiro sai daqui e não sei para onde vai. O imposto arrecadado aqui deveria ser aplicado aqui". Ele conta que na última chuva, saiu de casa com o carro e ficou atolado. "O pior que descobri que era lama, lixo e até fezes humanas, tudo misturado".
O transporte coletivo, também, foi citado pelos moradores como deficitário. "É péssimo. Principalmente nos finais de semana e nos feriados", reclamam. Sandra Cozza enfatiza que uma linha de grande necessidade é a que vai ao Cassino e que não entra no bairro. "Já entreguei ofício ao secretário Enoc Guimarães pedindo a entrada do ônibus do Cassino na rua A esquina com S. Ele pediu um mês. E isso foi em março. Estamos em julho e nada foi resolvido".
O secretário de Obras e Viação, Deloi Ribeiro, diz que as valetas acompanham o encanamento de água da rede que é muito raso. "Então não pode ser muito fundo porque quebramos os canos". Quanto ao estado das ruas, Deloi afirma que a manutenção é feita constantemente, sendo que a última foi feita em março. "É assim que funciona. Não chegamos ainda aos bairros mais perto do centro, temos que chegar aqui para depois iniciar novamente. Está ruim, mas nem tanto", enfatiza. Quanto ao esgoto sanitário ser despejado nas valetas, o secretário diz que isso é proibido. "É só avisar que a fiscalização vai lá. Mas tem que se identificar para o fiscal se deslocar".
A iluminação pública não é problema no Castelo Branco II. Através de um projeto da associação de moradores, todos os postes do bairro possuem uma placa de PVC com um número. Duas pessoas, que fazem parte dos Prestadores de Serviços Comunitários (PSC), passam duas vezes por mês fazendo a revisão das lâmpadas. O relatório é enviado depois para a administração municipal, que providencia a troca das lâmpadas queimadas.

  • Comunidade tem que se educar quanto ao recolhimento do lixo
O lixo, também, é um grande problema no Castelo Branco II. Esparramado, pode ser encontrado praticamente em todas as ruas, embora, Sandra afirme que o lixeiro passa diariamente no bairro. A rua A é um grande exemplo disso. Além de galhos e entulhos de construção, serve ainda de depósito para móveis velhos e inutilizados, assim como para roupas indesejadas. "O que falta é aqueles contêineres para que a população possa colocar o lixo dentro", ressalta a presidente da associação de moradores Sandra Cozza.
Ela diz ainda que já solicitou para a Secretaria de Serviços Urbanos (SMSU) um pega-entulhos para coisas grandes. "Mas a secretaria tem que vir retirar. Não adianta colocar aqui e deixar por um longo tempo. Tem que haver fiscalização". Além disso, ressalta que falta muita conscientização por parte do povo, que joga continuamente o seu lixo em qualquer lugar.
Ao longo da rua U, lado esquerdo de quem entra, existe um enorme campo. Tão grande quanto ele é o lixo depositado no local. E o pior é que foi realizada a limpeza das valetas e deixado todo o material ao lado. Na primeira chuva todo o trabalho terá que ser refeito.
A presidente da associação de moradores diz já ter solicitado para a administração municipal a colocação de bancos neste lugar para fazer dela uma área de lazer. Só que até agora, como se pode notar, nada foi feito. Para tentar amenizar o problema do lixo, Sandra pede aos moradores que tiverem entulhos ou lixo maior, que solicite a associação, que esta mobiliza a SMSU para a retirada.
Maria Enilda Teixeira, moradora na rua M, estava em meio ao lixo depositado na rua A. Com um carrinho de feira, selecionava roupas que estavam jogadas. "Se não serve para alguém, serve pra mim", disse. Viúva, aposentada e mora de aluguel. Diz ter se inscrito para ter uma casa e até agora nada conseguiu. "No meio do lixo a gente encontra coisas que os outros não querem, mas que para mim tem muito valor".
Sandra Cozza, agradece as roupas enviadas pela Campanha do Agasalho, mas pede, no entanto, que as pessoas que possam cooperem com mais coisas de inverno. Ela conta que ficou pasma ao ver as roupas utilizáveis no lixo. "Isso é incrível. Temos famílias precisando de casacos, de cobertores e de blusões. Peço que quem não irá usar as doações, que não peguem. Deixem realmente para quem necessita e vai fazer bom uso".

  • Programas para inclusão social é solução
Por ser um bairro com alto índice de violência, os moradores acreditam que a segurança poderia ser melhor. Para André Martins, não é nem uma questão de mais policiamento. Num primeiro momento é necessário o policiamento ostensivo, diz."Mas só isso não resolve. Segurança se resolve combatendo à desigualdade social, porque se origina de um problema social. Por isso, precisamos de programas de inclusão. É necessário encaminhar as pessoas para a qualificação profissional". André enfatiza que muitas empresas preferem contratar pessoas de fora do que investir na capacitação. "Dizem apenas que as pessoas não estão capacitadas. E, pior, que o povo não se interessa. Não é verdade".
Sandra Cozza vai além e chama a atenção para a frequência nos cursos gratuito. "O povo se interessa, tanto que quando realizam cursos gratuitos, as matrículas encerram-se de imediato de tanta procura". Salienta o fato de que não adianta oferecer curso que seja pago. "Como alguém desempregado pode pagar curso para se capacitar. Isso é brincar com o povo", enfatiza. Cita o FAT, a Secretaria de Cidadania e o Sine como entidades que poderiam investir muito mais na qualificação das pessoas. "Na realidade não há interesse em se investir na classe trabalhadora", acredita Sandra.
O secretário da associação, André Martins, complementa ressaltando: "o que pedimos é cursos e não que venham apenas doar coisas. Nós trabalhamos com resgate da autoestima e não com assistencialismo. Queremos que invistam nas pessoas e não digam que não se interessam ou que são incapazes". Coloca ainda que muitos culpam as pessoas por não ter emprego."O que falta é política pública", enfatiza.
A associação de moradores conta vários projetos de inclusão. Entre eles, o Mesa Brasil, que forma e capacita líderes comunitários em questões como o reaproveitamento de alimentos, e as Rodas de Aprendizagem, reforço escolar que acontece aos sábados, com um bolsista da Furg que atende cerca de 50 crianças. Tem, também, o projeto Pão, que irá reiniciar em agosto, com a chegada de um novo forno. Nesse projeto, voluntárias fazem pães e cucas para vender e para abastecer suas famílias. A verba é dividida entre a associação e as voluntárias.
Existe ainda o projeto Horta Comunitária, que, também, retorna em agosto. A área, ao lado da associação, já está sendo preparada. O objetivo é inserir na comunidade uma cultura de incentivo de que qualquer um pode produzir em um pequeno pátio, legumes e verduras e dar maior qualidade à alimentação. Além disso, abastece os alunos do Mesa Brasil, assim como os voluntários que se dedicam a associação. Este projeto tem à frente André Martins, que tem formação como técnico agrícola.
  • Comunidade reclama da falta de medicamentos
O atendimento de saúde no Castelo Branco II é dividido em dois setores: moradores das ruas A, B, C e D pertencem ao Caic. Os moradores das ruas E, F, G e I têm atendimento no posto do bairro Castelo Branco I. Segundo os moradores, o atendimento é "razoável". "Temos uma ESF aqui, que realiza visitas às famílias. Mas nem em todas as casas. Tem muita gente que não consegue se deslocar e a equipe não chega até lá", informa a moradora Maria de Fátima Ramos, dizendo ainda que não há todos os remédios necessários. "E o pior é que na quarta-feira ninguém pode ficar doente, pois não há atendimento", ressalta.
A presidente da associação de moradores Sandra Cozza confirma e diz que, muitas vezes, já relatou o problema ao Conselho Gestor de Saúde. "Sou prova disso. Tenho problemas de pressão alta, cardíacos e um nódulo pulmonar. Tenho que tomar cinco remédios por dia. No posto só consegui dois. E não tenho como comprar os demais. Tenho que me internar para ter os outros. E assim como eu são muitos os que passam por isso", revela.
A secretária municipal da Saúde, Zelionara Branco, informa que as equipes têm prioridades. Cada equipe atende em torno de 900 famílias por mês. Por este motivo são elencadas prioridades, como pacientes acamados ou portadores crônicos, o que é válido para as quatro equipes.
Zelionara Branco aponta que os medicamentos controlados estavam com dificuldade de abastecimento do mercado como um todo. O que estava em falta era a fluoxetina e a ritalina, medicamentos controlados com problema de mercado, o que já foi contornado, conforme a secretária. "O que não tenho como resolver é passar aos postos uma lista de muitos medicamentos, pois não há farmacêuticos em todos os postos e a presença deste profissional é exigida quando caracteriza uma farmácia". Os medicamentos podem ser encontrados na farmácia central do PAM.
Zelionara enfatiza ainda que a Secretaria Municipal de Saúde está trabalhando em um projeto para a implantação de farmácias distritais. "Para isso preciso de recursos humanos. Neste próximo concurso que a Prefeitura está lançando já incluímos vagas de farmacêuticos". Ela diz entender que é complicado para as pessoas se deslocarem até a farmácia central, principalmente, pelo problema de pagar a passagem do transporte coletivo, mas que no momento esta é a solução.
Há ainda problema em consultas com especialistas. "Não há atendimento se não for encaminhado pelo posto. Eu, mesmo com um nódulo no pulmão só consegui uma consulta para novembro. Até lá tenho que aguentar", explica Sandra. Zelionara especifica que no Posto 4 há uma pneumologista, mas que a demanda é grande.
A moradora Aline Ramos, mãe de três filhos menores, acrescenta que tem um filho de oito anos que precisa de atendimento com um cardiologista. "Faz quatro anos que tento uma consulta e até hoje não consegui atendimento". Além disso, salienta que não tem pediatra. "Só tem no Caic, mas só atende as crianças de lá. Se tivesse no posto, seria muito mais rápido", analisa Aline. O ESF não difere a área de atendimento, ressalta a secretária. O mesmo médico atende todos. "É um médico generalista, mas com formação específica para atender a saúde da família".
Maria de Fátima Ramos, que faz parte do Conselho Gestor de Saúde do Caic, diz receber muitas reclamações diárias sobre a falta de fichas. O atendimento é bom, enfatiza, mas são apenas oito fichas para médico e seis para dentista. "É muito pouco. Nas reuniões, sempre falo isso, mas não adianta". O horário de atendimento, também, faz parte das reclamações. "Temos que ir de madrugada para frente do posto para conseguir uma ficha. Muitas vezes, somos chamados apenas às 11h", declara.
Por Anete Poll
anete@jornalagora.com.br

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